Carta aos meus sentimentos e sensações

Galerinha daqui de dentro: hoje quero bater um papinho com você!


Quantos sentimentos e sensações já me visitaram durante o dia, ou muitas vezes, durante toda a noite?


Vou começar com a saudade:


Querida saudade, que bom te ter aqui comigo! Gosto quando você me visita sozinha, mas nos últimos tempos você tem me visitado acompanhado da angústia, e por aqui, tem feito uma bagunça!

Saudade: me visite sempre que quiser! E se possível, me traga boas lembranças e longas risadas.


Agora é sua vez, angústia:


Foi só citar você que já se achou no direito de aparecer? Pois dessa vez entre e fique à vontade, hoje você tem motivos para fazer jus a sua presença.


Por um longo tempo tivemos uma relação abusiva e hoje consigo te encarar e aceitar que você faz parte de mim, de quem eu já fui e de quem eu sou. Ainda não sei nomear a nossa relação, sei que sua presença é necessária em alguns momentos, no entanto, não se demore e apareça sozinha, não venha acompanhada da saudade!


Antes de encerrarmos: seja leve comigo (risos)! Por aqui deixo o meu até breve tão distante.


Tristeza, minha querida


Com você não irei demorar, pois assim como a angústia te deixo livre para me visitar. Contudo, me visite no nosso tempo, no que pertence a mim e a você. Quero que venha com a data da partida.

Vou te confessar que tenho sentido sua falta: recentemente o Jão lançou o álbum pirata, e escutando o álbum você não apareceu. E era o álbum do Jão, poxa!


Risos. Meu bem, é isso.


Chegou a vez dos irmãos. Das sensações que moraram comigo por um bom tempo e que hoje já estão de mudança: as sensações de lixo e incapacidade.


Por muito tempo vocês fizeram morada em mim, me acompanharam desde a infância, maltratando meu pequeno tonzinho. E como se não bastasse, ainda chamavam a angústia para zombarem de mim!


Ao lixo, deixo registrado aqui que você não tem tanta força dentro de mim. Você não me pertence mais, mas sim dos outros que te colocaram aqui.


Já você incapacidade, não se demore! Se retire, você não é nada, aos poucos está perdendo forças.

Você já não me assusta, tenho crescido constantemente e junto com isso, tenho acolhido minha criança interior. Hoje sou eu quem dou colo pra ela, sou eu quem digo que você é só um monstrinho no qual ela não precisa ter mais medo.


Lixo e incapacidade: não demorem com a mudança e, se possível, errem o meu endereço.


Minha adorável companheira paixão,


Quantas vezes eu te confundi com carência, ou até mesmo eu quis acreditar que você era ela?

Quantas vezes eu acreditei que para você morar em mim eu precisaria de qualquer carência, qualquer negacionismo de afeto?


Que bom te ter de volta! Poder te sentir, vibrar com você: sorte a minha de ter te encontrado nos corredores do Canto Baobá entre uma sessão e outra.


Minha paixão, te digo novamente o quanto é bom te ter aqui comigo. Me visite sempre que quiser, me visite nos amores de verão, nas paqueras entre uma estação e outra de metrô.


Gosto de parecer ridículo quando você está comigo. Sou completamente apaixonado por você.


PS: Ewerton Souza é paciente da Sócia-Fundadora e Psicóloga Ana Albuquerque, e autorizou seu texto para veiculação em nossas redes sociais.


#descriçãodaimagem : Fundo da imagem é texturizado parecido com papel amassado na cor branca. Centralizado na parte superior da imagem, está o nome do autor do texto: Ewerton Souza. Na parte superior direita da arte, há uma forma orgânica parecida com círculos nas cores marrom e laranja.


Centralizado na arte e justificado à esquerda, está o título da postagem: "Carta aberta aos meus sentimentos". Entre o título, há a ilustração de uma caneta vermelha escrevendo um coração. Abaixo da ilustração, está escrito: Galerinha daqui de dentro: hoje quero bater um papinho com vocês!


Na lateral esquerda inferior, a Logo do Canto Baobá


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