Sobre Dorflex e Carregadores.

No vai e vem da estação, creio que perdi alguns metrôs. Não o suficiente para culpar minha alma por ser tola demais, sufocada de problemas que nem problemas são. Creio que perdi o suficiente para me dar conta que quando entrei, poderia ter chego em casa a uma hora atrás.

Mas continuo sentada aqui, assimilando que poderia esperar bem mais pela outra metade que pode chegar a qualquer momento do meu lado, me olhar de cima e por meia hora, fazer piada sobre o dia monótono no trabalho.

A duas horas, espero lendo o livro que roubei dela, para tê-la em meus braços por apenas meia hora. Amar me soa muito exercitar a paciência. E nem brava eu estou. Faz parte voltar a ter 15 anos quando se está apaixonada? Confirmo olhando para o homem de vermelho que boceja sem parar. Eu não estou com sono pelo menos.

Guerreiro é ele.

O homem de vermelho anda desesperadamente pelo corredor. Quando vejo, está ali e aqui, olha para a escada rolante e desce. Sobe pela outra e boceja. Encosta no canto, olha para mim. Ela chegou, vejo que está no fim do corredor, cansada demais para conseguir me achar mesmo não tendo mais ninguém parada na estação além de mim. E o cara de vermelho, claro. Me liga, dou risada ao ver que anda em zigue zague no mesmo lugar.

Igual ao homem de vermelho, mas nesse caso, é a minha mulher. E está de preto.

O encontro não foi daqueles de cinema. Não houve beijo demorado, mas sim o desespero para entrar no metrô para voltar para casa. O dia foi uma merda e o esperado era que alguém nos pegassem no colo e ninassem até dormir, mas era eu por ela, ela por mim. E foi assim, uma escorada na outra por 1 hora, como quando teu celular descarrega o coloca na tomada.

Ela chegou em casa antes de mim. E dormiu antes também. Tomei um remédio para dor de cabeça, um banho, comi queijo branco e sem querer dormi de luz acessa. Mas agora ela está bem.

E é isso que importa.


Crônica divulgada pela Social Media, Juliana Ribeiro.

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